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   Depoimento Adriana Andrade


          Meu maior sonho sempre foi ser mãe. Assim que nos casamos, eu e Fernando, planejamos a gravidez, mas acho que Deus sabia que nós precisávamos nos preparar um pouco mais. Quando descobri que estava grávida a alegria foi gigantesca, ainda mais porque eram gêmeos.
         A gestação foi curtida com muita alegria e entusiasmo. Os médicos diziam estar tudo bem,  mas eu sentia que eles seriam prematuros, tal certeza, vinda de um pressentimento inexplicável se confirmou e às 21 horas do dia 12/10/1999; com muita alegria e tranquilidade senti os primeiros sinais da chegada dos bebês. Fomos para o Hospital e o médico fez um exame de ultrassom e constatou que apenas a bolsa do Vinícius tinha estourado e que ele já estava sem líquido, em sofrimento fetal. Fomos imediatamente para a sala de parto, os procedimentos foram muito rápidos e Vinícius nasceu, porém quase não chorou, já a bolsa da Clara precisou ser rompida (a força) e ela chorou normalmente, demonstrando que estava tudo bem.
         O Vinícius foi levado para a incubadora, visto que na ocasião o hospital não tinha UTI neonatal, mas seu estado de saúde foi se agravando, ele chorava muito e se contorcia dentro da incubadora. Devido alguns contratempos com o resgate aéreo, Vinicius só pode ser transferido para UTI em Juiz de Fora na sexta-feira às 17:15.
        Ele foi  intubado (procedimento comum em caso de transporte aéreo) e durante o procedimento ele teve uma parada cardíaca, o que muito nos assustou e fez com que os médicos nos alertasse que a possibilidade dele chegar com vida à  UTI Neo natal em Juiz de Fora era mínima. Vivemos os momentos mais angustiantes da nossa vida mas nunca perdemos a esperança.
        Devido ao gravíssimo estado de saúde do Vinícius, Fernando não pode acompanhá-lo. Ficamos em casa aguardando notícias e nesse momento o pediatra Dr. Wellington  Magalhães, com muito carinho e delicadeza me alertou que se ele sobrevivesse as sequelas  seriam várias.  Mas nunca perdemos a fé e três dias depois fomos liberados para visitá-lo  e ele já não corriam risco de morte. Os dias foram se passando e a cada visita nossa emoção de vê-los bem era maior. Quando pude amamentar Vinícius pela primeira vez senti -uma emoção e alegria indescritíveis.
        No dia 27 tivemos alta e enfim chegamos em nosso lar. A partir dá se inicia um período de lutas e vitórias que dura até hoje, mas a certeza que não existe acaso e que Deus sabe de tudo e de todas as coisas nos dá forças e coragem para prossegir. Para nossa alegria as sequelas foram muito menores do que as imaginadas pelos profissionais e por nós.
        Nossa rotina nesses 18 anos não tem sido nada fácil porém a alegria e resignação do Vinícius é tão grande que nos contagia e assim só temos tempo para pensar em coisas boas. Vinícius é um presente de Deus.

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